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Pedro Garcia de Moura

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Um sonho, recomendações culturais ultra personalizadas através da IA e mudança de comportamento.

Foto do escritor: pepegarcia
pepegarcia
21 de set.
3 min de leitura

Atualizado: há 1 hora

OU: A OBRA CERTA NA HORA CERTA



Sempre encarei o desafio de descobrir a próxima leitura, filme ou série, como algo místico. Como se houvesse uma obra apropriada para aquele momento, que poderia responder aos anseios da alma. Falo isso porque já senti várias vezes (e já vi acontecer com muita gente) a sensação disso ter acontecido, talvez por acaso das primeiras vezes, mas progressivamente cada vez mais intencionalmente. E o curioso é que esse "intencionalmente" muitas vezes não significa "tentar muito", e sim deixar o instinto falar. O esforço às vezes pode até atrapalhar o processo de descoberta e mascarar o instinto.


Meu processo sempre foi de exploração aleatória e reconhecimento desse instinto. Às vezes procurando por listas de livros favoritos de escritores que eu gosto, mas recentemente andei experimentando recomendações através de sistemas de IA como gpt ou claude. Coloquei todas as transcrições dos episódios do podcast Emoção Criativa, para que eles tivesse acesso a um pouco da minha maneira de pensar e de como vou conduzindo minha curiosidade, alimentei com mais alguns questionamentos que venho trazendo de reflexões e terapia, e comecei a tentar pedir obras que explorassem essas questões. O primeiro livro que veio disso foi "O Idiota" do Dostoievski, como um exemplo do que seria alguém não ter ego, não levar as coisas pro lado pessoal, e, talvez o mais impressionante do experimento sociológico que o livro é, o que aconteceria com uma pessoa assim na sociedade (no caso, a resposta é: ela seria moída). É óbvio que quando a falamos da tentativa de dissolução do ego e dos malefícios da ilusão de centrar sua existência ao redor dele, ele no fundo existe por um motivo – mas foi muito impactante construir um referencial do que pode ser alguém sem ego, e já consigo perceber mudanças reais na maneira com que consigo lidar com episódios do dia-a-dia que poderiam ser percebidos como um ataque à minha identidade.


O segundo livro que veio desse processo, quando estava investigando a questão da escassez (e do medo dela), foi Festa de Babette, um livro/conto escrito nos anos 50 sobre uma criada francesa que vai parar perdida numa cidadezinha da noruega no fim do século XIX e que ao ganhar na loteria, ao invés de voltar pra França, resolve gastar tudo em um jantar opulento para suas patroas. Ao ser indagada porque fez isso pra elas, a cozinheira respondeu que tinha sido por ela mesma: "Sou uma artista", e tinha precisado fazer aquilo porque era uma das maiores cozinheiras da frança e queria exercer seu talento na potência máxima, pois qualquer coisa além disso seria inaceitável, e para isso gastou tudo que tinha.


Antes de Babette, tinha acabado de ler um livro sobre Escassez, que fala do estado mental do medo da falta, como algo que além de roubar poder de processamento e criar as condições necessárias para que a escassez se perpetue, também distorce o foco da nossa percepção para que só aquilo apareça, mesmo que ilusoriamente. É como aquele famoso teste em que pessoas que se diziam pessimistas e otimistas iam ser avaliadas em uma sala, mas o teste de verdade era na sala de espera com uma revista e um vale brinde de $100. A maioria dos otimistas conseguiu enxergar o vale, e a maioria dos pessimistas não.


Tenho cada vez mais gostado de obras que conseguem oferecer alegorias que servem como bússola para comportamentos que quero adotar ou alterar, e ultimamente tenho sentido que com a ajuda de IA, está cada vez mais fácil achá-las.


A propósito: hoje sonhei que deveria começar um blog e aqui está. Sempre sigo meus instintos e sonhos e com esse não foi diferente. E quanto penso no anacronismo de começar um blog em 2026, o que mais me motiva é poder trocar com pessoas que se interessem por coisas parecidas, que também tenham essa vontade de ser artistas, não profissionalmente falando, mas que estejam dispostos a apostar o dinheiro da loteria na busca de algum sentido. Não digo sem medo, pois a coragem vem justamente do enfrentamento do medo, e não da falta dele, mas que tenham fé em que seja possível chegar a algum lugar.

 
 
 

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